Visão realista (e pessimista, porque penso que a realidade é péssima): o mundo é mau, o mundo é cruel. O ser humano na atual conjuntura do mundo é gado. Isso mesmo: gado.
Exemplo: quando você precisa fazer um exame periódico na empresa que você trabalha, você recebe uma folhinha dizendo: xxx-x Fulano de Tal (sim - primeiro o número, depois o nome). A empresa que te contratou te conhece pelo número. Exatamente como eles fazem com a vacina do gado. Lê-se o número num "brinco" na orelha do animal e vê-se se ele tomou a tal da vacina. E é assim que acontece conosco. Número. No banco, no trabalho, no médico.
As pessoas não se cumprimentam na rua e se sentem estranhas quando algum desconhecido age com educação. Onde estão os bons modos e a cordialidade das pessoas? Ninguém se olha nos olhos hoje em dia?
Mas eu também me sentiria incomodado se viesse algum desconhecido (que eu provavelmente chamaria de bizarro) e dissesse "bom dia, colega". Imagina, mais um número qualquer me cumprimentando no meio da rua.
O mundo é grande demais, o mundo é pequeno demais. Muita informação pra processar. E-mail, poster, banner, flyer, televisão, internet, rádio. Chegamos em casa com a cabeça doendo. Meus avós não tinham isso, aposto. Era tudo andando mais devagar do que hoje.
E mesmo assim continuamos andando no ritmo que nos ditam. Os chefes, os clientes, os amigos e tudo mais. Uma hora o cara cansa.
É, segunda-feira que não acaba...
06 março 2009
26 novembro 2008
O Prazer da Carne
Esses dias eu recebi uma apresentação daquelas que todos recebem, falando a respeito da criação de carne de vitela. A apresentação mostrou todos os aspectos negativos do consumo da carne de vitela, alegando que o animal tem uma vida sofrida antes do abate e que é desumano o consumo deste tipo de carne, devido justamente às condições de criação do "baby-beef". O e-mail incentiva é claro o não consumo da vitela.
Ok, as condições são desumanas e o animal sofre. Deixarei de comer carne de vitela por isso? Claro que não. Se as condições de criação deste tipo de alimento não são as mais legais para o animal, pros outros animais também não é. Os frangos vivem uns sobre os outros, comendo e cagando todos amontoados. Os porcos são castrados para que fiquem gordos e grandes. Toda a criação de animais é assim, e o abate também não é a coisa mais bonita de se ver. Seria muito mais bonito se tivéssemos um ambiente livre para os frangos e um lugar cheio de vida para as vacas, mas infelizmente isso não é possível, porque os criadores querem é saber de dinheiro. Pararia eu de comer carne então? Óbvio que não!
Qual o motivo que eu daria para não parar de comer carne depois de todo esse discurso em prol dos animais? Alguns poderiam achar cultural, ou alguém pode assumir que eu direi que é porque a carne é saudável. Eu digo que como carne porque gosto e quanto a isso não há desculpas ou argumentos para me convencer de deixar de comer carne.
A maioria das pessoas próximas a mim são carnívoras convictas. Nenhuma delas ficaria tentada a pedir uma salada Ceasar e deixar de lado um bife ao ponto, e isso não é porque elas acham que culturalmente a carne é mais apropriada para um jantar. É porque elas preferem carne mesmo.
O problema é que nos últimos tempos, tenho me tornado um imã de vegetarianos. Tenho algumas pessoas próximas que se dizem vegetarianas e quase arrumei confusão com um desconhecido que me abordou na rua esses dias. Por quê? Te conto o motivo. Essa maldita mania de que as pessoas tem em transformar as coisas em que elas acreditam em uma pseudo-religião é que atrapalha a convivência pacífica entre a sociedade já há mais de dois mil anos.
O cidadão me aborda na rua e pergunta se eu sou vegetariano. É claro que a minha namorada tentou apaziguar a situação, mas já era meio tarde, porque além do crente da alface me encher o saco, ele ainda me julga, dizendo que eu não tenho cara de vegetariano. Tava feito o rolo. "...os animais tem o mesmo direito de viver do que você", disse o mal acabado. Eu teria respondido se não fosse o puxão que eu tomei, novamente vindo da iniciativa da minha namorada. Os caras tratam isso como uma religião mesmo. E isso não é o pior. O pior é que eu ainda tenho que ouvir uma baboseira típica de testemunha de Jeová sobre o caso todo.
Procurando um pouco mais a respeito dessa "religião" ou até mesmo de grupos de carnívoros convictos na internet, descobri que não só não existe um grupo formal de carnívoros convictos, como também os vegetarianos são muito organizados. Existem manuais de convencimento, mostrando argumentos para "converter" um comedor de carne, como eles mesmos chamam.
Não pretendo criar uma rixa entre vegetarianos e carnívoros. A minha intenção é de que as pessoas convivam umas com as outras, independentemente do que elas comem. Não me importune se eu como animais mortos e eu não te importuno por comer folhas mortas. É isso que faz a gente conviver em paz pra criar um mundo melhor pra todo mundo. Inclusive para os bichos.
05 novembro 2008
OBrahma
É, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Negro com nome de "árabe" (pra quem não sabe, o nome do moço é Barack Hussein Obama II), vencendo o próprio preconceito contra a etnia negra, que é parte representativa no país. Isso mostra que a população estadunidense está muito adiantada no que diz respeito às eleições, contrariando o seu próprio sistema eleitoral. Métodos antigos como o de cédulas é o que prevalece por lá. E o que é o sistema de "delegados" que eles utilizam? A maioria dos próprios americanos não entende este sistema.
Ok, o sistema eleitoral é antigo, ultrapassado e obsoleto, os jornais brasileiros apregoam a cada notícia espalhada pela imprensa brasileira. Criticar a máquina de roçar grama do vizinho é fácil. Difícil é olhar pro seu quintal e ver que nem grama tem.
Quando digo isso não quero gerar polêmica. Longe de mim isso aqui virar ponto de debate. Só quero dizer o seguinte: o povo brasileiro fica achando que só porque os caras lá votam com cédula o sistema deles é fraco e o nosso é forte, só por usar tecnologia (acho muito bom por sinal, isso não é questionável). Aqui é o contrário. Sistema forte, eleitores nem tanto.
Explico: pouca gente sabe, mas nessas eleições presidenciais os americanos votaram também para senador. A própria TV brasileira noticia que "os candidatos em sua maioria são promotores, juízes e xerifes em seus estados". Isso me faz refletir que se ao mesmo tempo o sistema de votação é uma porcaria, a representatividade é muito alta. Esse tipo de coisa não é dita por ninguém. Questionáveis são os representantes brasileiros como Lacraia, Batoré (eleito), Rita Cadillac (ela sabe escrever Cadillac?), Sérgio Mallandro (com dos "éles") e Frank Aguiar (vice-prefeito eleito de São Bernardo do Campo). E o eleitorado brasileiro leva numa boa. É só ver que "personalidades" como essas que não tem o mínimo de conhecimento de administração pública, muitas vezes se elege com folga (a exemplo dos citados acima).
Beleza, alguém vai me dizer que isso é democracia. Todos tem o direito de se candidatar. Não deveria.
Sei que fugi do assunto, mas nesse pequeno pensamento eu só quis mostrar que apesar de todos acharem que o Obama vai mudar alguma coisa pra alguém por aqui só porque a imprensa faz carnaval por ele ser o primeiro presidente negro por lá, temos que parar de pensar no vizinho e começar a pensar em quem vai plantar a nossa grama.
Ok, o sistema eleitoral é antigo, ultrapassado e obsoleto, os jornais brasileiros apregoam a cada notícia espalhada pela imprensa brasileira. Criticar a máquina de roçar grama do vizinho é fácil. Difícil é olhar pro seu quintal e ver que nem grama tem.
Quando digo isso não quero gerar polêmica. Longe de mim isso aqui virar ponto de debate. Só quero dizer o seguinte: o povo brasileiro fica achando que só porque os caras lá votam com cédula o sistema deles é fraco e o nosso é forte, só por usar tecnologia (acho muito bom por sinal, isso não é questionável). Aqui é o contrário. Sistema forte, eleitores nem tanto.
Explico: pouca gente sabe, mas nessas eleições presidenciais os americanos votaram também para senador. A própria TV brasileira noticia que "os candidatos em sua maioria são promotores, juízes e xerifes em seus estados". Isso me faz refletir que se ao mesmo tempo o sistema de votação é uma porcaria, a representatividade é muito alta. Esse tipo de coisa não é dita por ninguém. Questionáveis são os representantes brasileiros como Lacraia, Batoré (eleito), Rita Cadillac (ela sabe escrever Cadillac?), Sérgio Mallandro (com dos "éles") e Frank Aguiar (vice-prefeito eleito de São Bernardo do Campo). E o eleitorado brasileiro leva numa boa. É só ver que "personalidades" como essas que não tem o mínimo de conhecimento de administração pública, muitas vezes se elege com folga (a exemplo dos citados acima).
Beleza, alguém vai me dizer que isso é democracia. Todos tem o direito de se candidatar. Não deveria.
Sei que fugi do assunto, mas nesse pequeno pensamento eu só quis mostrar que apesar de todos acharem que o Obama vai mudar alguma coisa pra alguém por aqui só porque a imprensa faz carnaval por ele ser o primeiro presidente negro por lá, temos que parar de pensar no vizinho e começar a pensar em quem vai plantar a nossa grama.
22 outubro 2008
Tá difícil
Eu sei que a inflação subiu. Imagina o preço dos contos e crônicas.
Algumas eu nem consigo mais comerciar. O custo de uma alegre então...
Se bem que as tristes andam escassas. Não tem mais crônica triste. É a triste lei de mercado. As bolsas caem e os preços sobem. As únicas crônicas que se escrevem agora é sobre o salário que caiu (junto com a bolsa). Ou foi a crônica que subiu?
O problema são os commodities de idéias, alguns dizem. Se as idéias andam escassas, já não se faz mais crônicas. Preguiça em alta, idéias em baixa. Danou-se!
Mas de vez em quando sobra uma idéia no fim do mês e compra-se uma ou outra crônica.
Essa aqui eu comprei baratinho. Só pra fazer mimo...
Algumas eu nem consigo mais comerciar. O custo de uma alegre então...
Se bem que as tristes andam escassas. Não tem mais crônica triste. É a triste lei de mercado. As bolsas caem e os preços sobem. As únicas crônicas que se escrevem agora é sobre o salário que caiu (junto com a bolsa). Ou foi a crônica que subiu?
O problema são os commodities de idéias, alguns dizem. Se as idéias andam escassas, já não se faz mais crônicas. Preguiça em alta, idéias em baixa. Danou-se!
Mas de vez em quando sobra uma idéia no fim do mês e compra-se uma ou outra crônica.
Essa aqui eu comprei baratinho. Só pra fazer mimo...
30 agosto 2007
Dia Seguinte
Tá brincando comigo. Como sempre. Me manda embora e depois quer graça.
É isso mesmo. Quer que eu fique de graça. Não, não adianta torrar o meu tempo. Pra não dizer outra coisa.
Não vou te mimar mais e nem dar mais aquela atenção que eu dispendia durante horas a fio, só pra te satisfazer. Claro, pra me satisfazer também, tu achas que sou burro? Vou te dar carinho e prazer e depois te ver virar pro lado e dormir... Obrigado, mas não. Esse trouxa já não é mais o mesmo que se sentia pisado e calava. Não vou te ouvir me julgando e me avaliando o tempo inteiro. Tô indo embora e tu não vai me segurar de maneira alguma. Cansei de ser bobo.
Por quê? Mas és cara de pau mesmo hein? Andei na chuva e no escuro da noite mais escura só pra te ter nos meus braços, que podem ser curtos, mas que quando tinham você entre eles sentia que podia abraçar o mundo.
Tá fazendo de novo. Tentando me persuadir a te dar atenção. Esquece! Ó, tá vendo? Me lambendo com palavras outra vez. Gostou? Lambendo com palavras...
É isso que tu faz. Me lambe com palavras.
Essas lambidas bem escolhidas, sabe? Pornográficas mesmo.
To saindo do meu foco. Me esquece! Não quero mais. Não me lembro mais da noite passada. Se é que houve noite passada. Vou espalhar o resto de nós pelos cantos da casa. Lá vai um pedaço seu se derramando na sacada.E o meu coração indo pelo ralo.
Ou sei eu lá. Qualquer outra parte. Deve ser outra parte mesmo, porque o meu coração arrancaram faz tempo do meu peito. Lembra? Foi tu!
Dane-se o papo sentimentalóide. Não quero me fazer de vítima. Só vou te dizer que não te uso mais. E não pensa que vai me usar também.
Ai ai.
Agora não me lembro se eu tava falando de você, ingrata, ou da vodka, maltida.
É isso mesmo. Quer que eu fique de graça. Não, não adianta torrar o meu tempo. Pra não dizer outra coisa.
Não vou te mimar mais e nem dar mais aquela atenção que eu dispendia durante horas a fio, só pra te satisfazer. Claro, pra me satisfazer também, tu achas que sou burro? Vou te dar carinho e prazer e depois te ver virar pro lado e dormir... Obrigado, mas não. Esse trouxa já não é mais o mesmo que se sentia pisado e calava. Não vou te ouvir me julgando e me avaliando o tempo inteiro. Tô indo embora e tu não vai me segurar de maneira alguma. Cansei de ser bobo.
Por quê? Mas és cara de pau mesmo hein? Andei na chuva e no escuro da noite mais escura só pra te ter nos meus braços, que podem ser curtos, mas que quando tinham você entre eles sentia que podia abraçar o mundo.
Tá fazendo de novo. Tentando me persuadir a te dar atenção. Esquece! Ó, tá vendo? Me lambendo com palavras outra vez. Gostou? Lambendo com palavras...
É isso que tu faz. Me lambe com palavras.
Essas lambidas bem escolhidas, sabe? Pornográficas mesmo.
To saindo do meu foco. Me esquece! Não quero mais. Não me lembro mais da noite passada. Se é que houve noite passada. Vou espalhar o resto de nós pelos cantos da casa. Lá vai um pedaço seu se derramando na sacada.E o meu coração indo pelo ralo.
Ou sei eu lá. Qualquer outra parte. Deve ser outra parte mesmo, porque o meu coração arrancaram faz tempo do meu peito. Lembra? Foi tu!
Dane-se o papo sentimentalóide. Não quero me fazer de vítima. Só vou te dizer que não te uso mais. E não pensa que vai me usar também.
Ai ai.
Agora não me lembro se eu tava falando de você, ingrata, ou da vodka, maltida.
28 agosto 2007
Pecado Pirata num Mundo Original
Pensando na globalização mundial e no crescimento exacerbado da economia chinesa, (como qualquer outro cidadão que não entende coisa nenhuma de economia) a mídia atual só me leva a pensar uma coisa: -Eu preciso daquele iPod!
E é assim com tudo. Desde um shampoo importado feito com produtos nacionais (isso mesmo) até produtos nacionais produzidos com tecnologia importada.
Mas os países pobres sempre sabem como sair da crise de estagnação que os assola. Como o Brasil! Não posso comprar um iPod, mas aíPod comprar um mp4 da Foston. Desde que seja parecido, tudo bem. To sem grana pra ir ao cinema assistir o Bruce Willis destruir meia cidade, mas se eu passar ali no camelô e fizer uma vaquinha com o meu primo eu posso comprar o DVD "qualidade boa mano, legenda em português - é cinco pila" pra ver em casa.
E continua. Nas calçadas milhares de ambulantes se acotovelam durante horas ao sol pra vender o seu pão de cada dia. Tênis da Myke, mp3 da Somy e um Polystation original! Uau! Sobrou até uma grana pra comprar aquela jaqueta da Faridas (a marca das 4 listras) que eu tanto queria.
To chegando à conclusão que a única coisa original neste mundo é o bom e velho pecado.
E é assim com tudo. Desde um shampoo importado feito com produtos nacionais (isso mesmo) até produtos nacionais produzidos com tecnologia importada.
Mas os países pobres sempre sabem como sair da crise de estagnação que os assola. Como o Brasil! Não posso comprar um iPod, mas aíPod comprar um mp4 da Foston. Desde que seja parecido, tudo bem. To sem grana pra ir ao cinema assistir o Bruce Willis destruir meia cidade, mas se eu passar ali no camelô e fizer uma vaquinha com o meu primo eu posso comprar o DVD "qualidade boa mano, legenda em português - é cinco pila" pra ver em casa.
E continua. Nas calçadas milhares de ambulantes se acotovelam durante horas ao sol pra vender o seu pão de cada dia. Tênis da Myke, mp3 da Somy e um Polystation original! Uau! Sobrou até uma grana pra comprar aquela jaqueta da Faridas (a marca das 4 listras) que eu tanto queria.
To chegando à conclusão que a única coisa original neste mundo é o bom e velho pecado.
22 agosto 2007
Perfeita Maionese
Tudo o que João Pedro queria era a mulher perfeita. Buscava por isso como se fosse a procura pela verdadeira maionese, e como se por ironia do destino havia achado a verdadeira maionese, mas jamais encontrara a mulher perfeita. Perdeu anos de sua juventude nessa pequena busca infrutífera, pensando consigo mesmo que tal mulher não existia.
Sentado em casa bebendo o seu café amargo recordava-se das mulheres que já haviam passado pela sua vida, e lembrou que todas elas possuíam pedaços de características que num todo, chegariam a ser a mulher que tanto desejava. Pensou em Letícia, que não possuía nada de especial em termos de beleza, mas era dotada de inteligência e cultura superiores. Lembrou-se de Carla, que era jovem e linda, com o rosto e o corpo mais bonitos em que já pôs as suas mãos, mas em compensação lhe faltava discernimento para juntar mais de cinco palavras numa frase. Entre todas, essas eram as mulheres que mais lhe faziam falta. Uma pela conversa nos bares e em casa, que tomavam horas de discussões sobre cultura, política e religião; e a outra pelas horas de prazer que eram proporcionadas em todos os cômodos da casa.
Depois de muitos balanços de sua vida, vendo que esta passava como um carro sem freio em direção ao curto túnel entre a velhice e a morte, João resolveu que era hora de parar. Decidiu assumir a sua identidade de solteiro e entregar-se a viver a vida da melhor maneira que pudesse, estando ao lado de uma mulher ou não. Foi então que o destino decidiu intervir como só ele mesmo pode fazer.
O nome dessa intervenção: Anna. João conheceu Anna numa noite de sábado chuvoso em uma dessas cantinas tão tradicionais que os candelabros com as velas acesas sobre a mesa pareciam ter vindo direto do século XIX, e onde a comida era tão magnífica que atraía público vindo de longe para apreciar a delicada arte culinária da dona do local. João estava sentado em uma mesa num dos cantos esperando um pequeno grupo de amigos quando vislumbrou Anna deslizando pelo restaurante acompanhada de uma amiga.
No momento do primeiro encontro, João teria ficado paralisado. Atônito. Ele mesmo tinha certeza de que não conseguiria olhar de novo em outros olhos senão aqueles castanhos que o miravam com tanta firmeza. Anna, que sabia que João a apreciava, em momento algum ficara envergonhada ou inibida pelos olhares. Não só retribuía como também se insinuava para João de maneira que este nunca tinha visto em mulher alguma. Mas não era só o jeito feminino, a personalidade forte e cativante e a beleza de Anna que apaixonaram João. Beleza essa que poderia ser comparada a um afresco dos grandes mestres das catedrais da Europa. A inteligência e a cultura de Anna aguçaram ainda mais a vontade de tê-la ao seu lado. Ambos sem se conter, logo após o jantar e muitas taças de vinho, se entrelaçaram em um demorado beijo, que acabou por levar o casal até o apartamento de Anna. Em um furor incontido levado pelo álcool e pela paixão, passaram a noite acordados, cada um fazendo do corpo do outro o seu próprio num ballet de pernas e braços emaranhados, que se repetiram várias vezes com o passar da madugrada.
O interesse de um pelo outro gerou depois de poucos encontros um compromisso. Anna sentia-se feliz ao lado de João. Mas João, esse sim poderia dizer com todo o orgulho de seu peito que encontrara a mulher que tinha procurado durante anos.
Não era só o fato de ser uma mulher bonita e inteligente. João gostava de tudo nela. Acordar ao seu lado e vê-la de cabelo espalhado, o bigodinho de açúcar que ficava em seus lábios quando comia um sonho de padaria, aquele pequeno tique de morder a ponta da caneta enquanto trabalhava ou até mesmo a mania que chegava a ser implicante com as coisas em ordem dentro de casa.
...
Cheiro de queimado. João sentia sempre. Havia momentos em que achava que era a sua mente tentando deixá-lo maluco, ou se era por causa do braço queimado no incêndio levou o amor de sua vida, sua saúde e um pedaço da sua própria carne. Via-se sentado novamente naquela barra do farol onde espalhara as cinzas de Anna. Achava cômico cremar alguém que morreu queimado, mas esse foi o desejo da família dela, e João já estava cansado de divergir com eles a respeito de qualquer coisa.
Não sabia porque mas parecia que o farol sempre chamava por ele. Era a única companhia que tinha. Perdera os amigos e a família que não suportava mais a revolta com o destino que tinha levado até ele a mulher de sua vida, acabara levando ela de uma maneira tão brutal.
Sentia-se sozinho sempre. Nada mais importava pra ele. Queria precipitar-se nas águas, que revoltas, pareciam chamar-lhe para um último salto. Mas falta a coragem a João. Sabia que teria que sofrer a dor da perda pelo resto de sua vida. Era a sua missão. O seu karma.
Sentia que seria perda de tempo procurar outra mulher para preencher a falta que sentia dela. Já procurara. Nenhuma mulher era boa o suficiente. Comparava as outras que possuía apenas por necessidade carnal. Não era o mesmo corpo bronzeado, os mesmos seios macios e as pernas grossas. O cabelo ondulado ou aqueles olhos castanhos que o prendiam. A inteligência de professora, de quem tinha paciência não só pra ouvir, entender e debater, mas também pra ensinar. Jamais passaria a madrugada sentado na poltrona no canto do quarto olhando qualquer outra mulher dormir, como fazia com Anna, e ela nunca ficaria sabendo. Não tinha vontade de dedicar-se a outro amor como antes, porque sabia que o sentimento que tinha não iria se repetir. Não se duplicaria.
Restava apenas a João chorar pelo amor perdido e pelo sentimento entranhado em seu coração, porque o verdadeiro amor não chega duas vezes. Por isso se chama amor verdadeiro.
Sentado em casa bebendo o seu café amargo recordava-se das mulheres que já haviam passado pela sua vida, e lembrou que todas elas possuíam pedaços de características que num todo, chegariam a ser a mulher que tanto desejava. Pensou em Letícia, que não possuía nada de especial em termos de beleza, mas era dotada de inteligência e cultura superiores. Lembrou-se de Carla, que era jovem e linda, com o rosto e o corpo mais bonitos em que já pôs as suas mãos, mas em compensação lhe faltava discernimento para juntar mais de cinco palavras numa frase. Entre todas, essas eram as mulheres que mais lhe faziam falta. Uma pela conversa nos bares e em casa, que tomavam horas de discussões sobre cultura, política e religião; e a outra pelas horas de prazer que eram proporcionadas em todos os cômodos da casa.
Depois de muitos balanços de sua vida, vendo que esta passava como um carro sem freio em direção ao curto túnel entre a velhice e a morte, João resolveu que era hora de parar. Decidiu assumir a sua identidade de solteiro e entregar-se a viver a vida da melhor maneira que pudesse, estando ao lado de uma mulher ou não. Foi então que o destino decidiu intervir como só ele mesmo pode fazer.
O nome dessa intervenção: Anna. João conheceu Anna numa noite de sábado chuvoso em uma dessas cantinas tão tradicionais que os candelabros com as velas acesas sobre a mesa pareciam ter vindo direto do século XIX, e onde a comida era tão magnífica que atraía público vindo de longe para apreciar a delicada arte culinária da dona do local. João estava sentado em uma mesa num dos cantos esperando um pequeno grupo de amigos quando vislumbrou Anna deslizando pelo restaurante acompanhada de uma amiga.
No momento do primeiro encontro, João teria ficado paralisado. Atônito. Ele mesmo tinha certeza de que não conseguiria olhar de novo em outros olhos senão aqueles castanhos que o miravam com tanta firmeza. Anna, que sabia que João a apreciava, em momento algum ficara envergonhada ou inibida pelos olhares. Não só retribuía como também se insinuava para João de maneira que este nunca tinha visto em mulher alguma. Mas não era só o jeito feminino, a personalidade forte e cativante e a beleza de Anna que apaixonaram João. Beleza essa que poderia ser comparada a um afresco dos grandes mestres das catedrais da Europa. A inteligência e a cultura de Anna aguçaram ainda mais a vontade de tê-la ao seu lado. Ambos sem se conter, logo após o jantar e muitas taças de vinho, se entrelaçaram em um demorado beijo, que acabou por levar o casal até o apartamento de Anna. Em um furor incontido levado pelo álcool e pela paixão, passaram a noite acordados, cada um fazendo do corpo do outro o seu próprio num ballet de pernas e braços emaranhados, que se repetiram várias vezes com o passar da madugrada.
O interesse de um pelo outro gerou depois de poucos encontros um compromisso. Anna sentia-se feliz ao lado de João. Mas João, esse sim poderia dizer com todo o orgulho de seu peito que encontrara a mulher que tinha procurado durante anos.
Não era só o fato de ser uma mulher bonita e inteligente. João gostava de tudo nela. Acordar ao seu lado e vê-la de cabelo espalhado, o bigodinho de açúcar que ficava em seus lábios quando comia um sonho de padaria, aquele pequeno tique de morder a ponta da caneta enquanto trabalhava ou até mesmo a mania que chegava a ser implicante com as coisas em ordem dentro de casa.
...
Cheiro de queimado. João sentia sempre. Havia momentos em que achava que era a sua mente tentando deixá-lo maluco, ou se era por causa do braço queimado no incêndio levou o amor de sua vida, sua saúde e um pedaço da sua própria carne. Via-se sentado novamente naquela barra do farol onde espalhara as cinzas de Anna. Achava cômico cremar alguém que morreu queimado, mas esse foi o desejo da família dela, e João já estava cansado de divergir com eles a respeito de qualquer coisa.
Não sabia porque mas parecia que o farol sempre chamava por ele. Era a única companhia que tinha. Perdera os amigos e a família que não suportava mais a revolta com o destino que tinha levado até ele a mulher de sua vida, acabara levando ela de uma maneira tão brutal.
Sentia-se sozinho sempre. Nada mais importava pra ele. Queria precipitar-se nas águas, que revoltas, pareciam chamar-lhe para um último salto. Mas falta a coragem a João. Sabia que teria que sofrer a dor da perda pelo resto de sua vida. Era a sua missão. O seu karma.
Sentia que seria perda de tempo procurar outra mulher para preencher a falta que sentia dela. Já procurara. Nenhuma mulher era boa o suficiente. Comparava as outras que possuía apenas por necessidade carnal. Não era o mesmo corpo bronzeado, os mesmos seios macios e as pernas grossas. O cabelo ondulado ou aqueles olhos castanhos que o prendiam. A inteligência de professora, de quem tinha paciência não só pra ouvir, entender e debater, mas também pra ensinar. Jamais passaria a madrugada sentado na poltrona no canto do quarto olhando qualquer outra mulher dormir, como fazia com Anna, e ela nunca ficaria sabendo. Não tinha vontade de dedicar-se a outro amor como antes, porque sabia que o sentimento que tinha não iria se repetir. Não se duplicaria.
Restava apenas a João chorar pelo amor perdido e pelo sentimento entranhado em seu coração, porque o verdadeiro amor não chega duas vezes. Por isso se chama amor verdadeiro.
06 agosto 2007
Ao Telefone
- Boa noite, eu gostaria de falar com o senhor Armando Justo.
- Pois não, quem gostaria?
- Aqui é Márcia Antunes da fire-o-matic, e gostaríamos de estar oferecendo um serviço indispensável para a sua vida.
- Eu consegui viver até hoje sem isso?
- Sim senhor, mas....
- Então boa noite.
-Bom dia senhor, aqui é da PlusCard, um cartão de vantagens para o senhor. O senhor gostaria de estar sabendo o que é o Cartão PlusCard?
- Vai envolver algum custo?
- Veja bem, o senhor vai estar pagando uma pequena taxa de apenas....
- Então não quero, obrigado.
- Boa noite senhor, aqui é o serviço de satisfação do cliente Telemig, nós gostaríamos de estar sabendo como anda a prestação do nosso serviço....
- Vocês querem saber minha filha? Então anota a porra do protocolo que eu vou estar enviando um técnico-bomba até aí pra resolver o teu caso!
- Senhor, o senhor já recebeu em sua casa o mais moderno sistema de...
- Já tenho lança granadas, obrigado.
- Senhora...
- AI MEU DEUS O MEU FEIJÃO!
- Senhor, o senhor foi indicado para uma promoção incrível, onde o senhor vai estar efetuando o pequeno pagamento de uma taxa...
- Fui indicado? Por quem?
- Senhor, essa informação é confidencial.
- Me fala aí minha filha, que é que me indicou.
- Infelizmente senhor, eu não vou poder estar fornecendo essa informação.
- Me fala quem foi o filho da puta que me indicou pra um telemarketing que liga às 9 da manhã de domingo pra me acordar e me oferecer creme anti-celulite que eu vou enfiar o telefone no rabo dele sem essa porra de creme!
- Pois não, quem gostaria?
- Aqui é Márcia Antunes da fire-o-matic, e gostaríamos de estar oferecendo um serviço indispensável para a sua vida.
- Eu consegui viver até hoje sem isso?
- Sim senhor, mas....
- Então boa noite.
-Bom dia senhor, aqui é da PlusCard, um cartão de vantagens para o senhor. O senhor gostaria de estar sabendo o que é o Cartão PlusCard?
- Vai envolver algum custo?
- Veja bem, o senhor vai estar pagando uma pequena taxa de apenas....
- Então não quero, obrigado.
- Boa noite senhor, aqui é o serviço de satisfação do cliente Telemig, nós gostaríamos de estar sabendo como anda a prestação do nosso serviço....
- Vocês querem saber minha filha? Então anota a porra do protocolo que eu vou estar enviando um técnico-bomba até aí pra resolver o teu caso!
- Senhor, o senhor já recebeu em sua casa o mais moderno sistema de...
- Já tenho lança granadas, obrigado.
- Senhora...
- AI MEU DEUS O MEU FEIJÃO!
- Senhor, o senhor foi indicado para uma promoção incrível, onde o senhor vai estar efetuando o pequeno pagamento de uma taxa...
- Fui indicado? Por quem?
- Senhor, essa informação é confidencial.
- Me fala aí minha filha, que é que me indicou.
- Infelizmente senhor, eu não vou poder estar fornecendo essa informação.
- Me fala quem foi o filho da puta que me indicou pra um telemarketing que liga às 9 da manhã de domingo pra me acordar e me oferecer creme anti-celulite que eu vou enfiar o telefone no rabo dele sem essa porra de creme!
27 abril 2007
Êta Paisinho Difícil
E eu pensando (atrasado): esses dias foi feriado de Tiradentes. E o povo brasileiro não se importa a não ser pelo contexto em que o dia está inserido: feriado. E a gente torce pra que o feriado caia numa terça, ou melhor ainda numa quinta (bate na barriga com as duas mãos e diz: essa semana eu só trabalho até meio-dia na quarta. Depois eu fico enrolando até as cinco). E se pergunta se é dia vinte e um ou vinte e dois de abril. “Sempre me confundo com a data do descobrimento...”.
E sai o brasileiro para o seu merecido descanso às cinco da tarde de quarta-feira. Merecido mesmo o seu descanso, porque trabalha-se duro e ganha-se pouco nesse país (como diria o político com uma súbita síndrome de sinceridade: “meu povo, a verdade é que vocês vão trabalhar como japoneses para ganhar como chineses”). Pega o carro e a esposa em casa e se atira pra praia!
Fugi do tema. E o Tiradentes? Bem, se Tiradentes tivesse um corpo inteiro para ser enterrado, o seu esqueleto na terra teria se remexido todos os feriados de lá pra cá. Nem curtiria um bronzeado maneiro da praia, tomando aquela gelada!
Tiradentes ficou sem um solzinho (nem feriado) por três anos antes de ser enforcado e esquartejado. Para servir como exemplo (e minha mãe sempre dizia: procura alguém que te sirva de bom exemplo pra vida). Exemplo de que não era permitido protestar contra a coroa Portuguesa. Lutava pela libertação do Brasil e protestava contra o imposto abusivo que Portugal cobrava sobre o ouro em Minas Gerais (com mais meia-dúzia de cabeças – o que nos remete também ao dedo-duro da época do império). E o imposto era realmente um absurdo. Vinte por cento. Caralho ô pá! Que roubo!
E o que tem o brasileiro a ver com isso? Nada. Brasileiro não paga vinte por cento de imposto em nada! Paga mais! Em tudo! Como exemplo posso citar alguns itens (que não são ouro, mas que são mais necessários que ele): a cerveja que eu tomo enquanto digito em meu computador: 56%. Tá certo, bebida alcoólica tem que ter imposto alto mesmo! – gritariam os puritanos. Mas e os puritanos que bebem água sabem o quanto se paga de imposto? Hein, hein? 45,11% numa garrafa. Orgulhem-se! Já é menos que a metade. E a gasolina que leva o brasileiro em direção as nossas belas praias no feriado (esse mesmo, o de Tiradentes) nos custa nada mais nada menos que 53,03%. E aposto que os puritanos curtem esticar uma praia no feriado com o seu carro a gasolina.
O feriado em que ninguém pensa o motivo pelo qual aconteceu (como tantos outros no Brasil) teve o intuito de fazer lembrar um cara que morreu há anos atrás para libertar um povo de um mal que já assombrava o país naquela época. O mesmo povo que hoje não dá a mínima (a não ser pelo feriado).
Me leva a refletir que o cara morreu em vão mesmo, porque além de ninguém honrar o motivo da sua morte, lembrar a data nem pensar. Mas não saber o nome do cara é o cúmulo. Acabei de ver na TV (parece mentira) a garota universitária no auditório do programa de TV, num desses de entrevista que passam de madrugada. O cara que conduz o programa pergunta à platéia: “Quem foi Joaquim José da Silva Xavier?” – e a garota demonstrando o seu alto grau de conhecimentos gerais responde (repito, parece mentira): “era o nome de Chico Xavier!” Caralho ô pá!
Agora eu pergunto: morreu enforcado pra quê?
E sai o brasileiro para o seu merecido descanso às cinco da tarde de quarta-feira. Merecido mesmo o seu descanso, porque trabalha-se duro e ganha-se pouco nesse país (como diria o político com uma súbita síndrome de sinceridade: “meu povo, a verdade é que vocês vão trabalhar como japoneses para ganhar como chineses”). Pega o carro e a esposa em casa e se atira pra praia!
Fugi do tema. E o Tiradentes? Bem, se Tiradentes tivesse um corpo inteiro para ser enterrado, o seu esqueleto na terra teria se remexido todos os feriados de lá pra cá. Nem curtiria um bronzeado maneiro da praia, tomando aquela gelada!
Tiradentes ficou sem um solzinho (nem feriado) por três anos antes de ser enforcado e esquartejado. Para servir como exemplo (e minha mãe sempre dizia: procura alguém que te sirva de bom exemplo pra vida). Exemplo de que não era permitido protestar contra a coroa Portuguesa. Lutava pela libertação do Brasil e protestava contra o imposto abusivo que Portugal cobrava sobre o ouro em Minas Gerais (com mais meia-dúzia de cabeças – o que nos remete também ao dedo-duro da época do império). E o imposto era realmente um absurdo. Vinte por cento. Caralho ô pá! Que roubo!
E o que tem o brasileiro a ver com isso? Nada. Brasileiro não paga vinte por cento de imposto em nada! Paga mais! Em tudo! Como exemplo posso citar alguns itens (que não são ouro, mas que são mais necessários que ele): a cerveja que eu tomo enquanto digito em meu computador: 56%. Tá certo, bebida alcoólica tem que ter imposto alto mesmo! – gritariam os puritanos. Mas e os puritanos que bebem água sabem o quanto se paga de imposto? Hein, hein? 45,11% numa garrafa. Orgulhem-se! Já é menos que a metade. E a gasolina que leva o brasileiro em direção as nossas belas praias no feriado (esse mesmo, o de Tiradentes) nos custa nada mais nada menos que 53,03%. E aposto que os puritanos curtem esticar uma praia no feriado com o seu carro a gasolina.
O feriado em que ninguém pensa o motivo pelo qual aconteceu (como tantos outros no Brasil) teve o intuito de fazer lembrar um cara que morreu há anos atrás para libertar um povo de um mal que já assombrava o país naquela época. O mesmo povo que hoje não dá a mínima (a não ser pelo feriado).
Me leva a refletir que o cara morreu em vão mesmo, porque além de ninguém honrar o motivo da sua morte, lembrar a data nem pensar. Mas não saber o nome do cara é o cúmulo. Acabei de ver na TV (parece mentira) a garota universitária no auditório do programa de TV, num desses de entrevista que passam de madrugada. O cara que conduz o programa pergunta à platéia: “Quem foi Joaquim José da Silva Xavier?” – e a garota demonstrando o seu alto grau de conhecimentos gerais responde (repito, parece mentira): “era o nome de Chico Xavier!” Caralho ô pá!
Agora eu pergunto: morreu enforcado pra quê?
11 março 2007
Num Samba Curto
Meu samba andou parado
Até você aparecer mudando tudo
Lançando por terra o escudo do meu coração em repouso
Ontem uma rocha fria, hoje assim exposto
Deixando entrar sem medo a vida aquilo que eu não via
Só agora eu reparei que não vi seu rosto
E que você partiu sem deixar seu nome
Só me resta seguir rumo ao futuro
Certo de meu coração mais puro
Quem quiser que pense um pouco
Eu não posso explicar meus encontros
Ninguém pode explicar a vida
Num samba curto
Até você aparecer mudando tudo
Lançando por terra o escudo do meu coração em repouso
Ontem uma rocha fria, hoje assim exposto
Deixando entrar sem medo a vida aquilo que eu não via
Só agora eu reparei que não vi seu rosto
E que você partiu sem deixar seu nome
Só me resta seguir rumo ao futuro
Certo de meu coração mais puro
Quem quiser que pense um pouco
Eu não posso explicar meus encontros
Ninguém pode explicar a vida
Num samba curto
07 fevereiro 2007
Declaração de Amor ao Avesso
O que não entendes mulher, é que eu seria capaz de te levar café na cama todos os dias, com uma rosa cultivada em nosso próprio jardim. Queria eu poder me dedicar a você, amando-te mais do que a mim mesmo e do que qualquer outra pessoa. Poderia ver-te crescer e envelhecer ao meu lado, e ainda assim te amaria até o último dia da minha vida.
Mas já não quero mais isso.
Não adianta chorar pra mim, porque as tuas lágrimas já não me comovem mais. Não queira olhar pra mim, pois esses teus olhos, onde antes eu poderia me perder pra sempre, já não me despertam mais sentimentos. Essas suas bochechas coradas, antes minhas, já não me pertencem mais e não quero mais beijá-las ou acariciá-las de qualquer maneira. Gostaria de dizer-te que não adianta mais mexer pra mim os cabelos que eu já cheirei e acariciei. O único cheiro que ainda sinto vindo deles é o cheiro de mágoa e saudades que ficaram entre nós dois. As suas coxas quentes em dia de inverno, só me trazem o reflexo do frio distante que é o teu coração. Cansei de esperar que algo como apreço viesse de ti. Agora o que posso esperar é que não tornarás mais a ver aquele homem apaixonado e feliz por te dar todo o meu carinho.
Só quero dizer não quero mais. Não quero mais sofrer ao teu lado, nem sorrir ao teu lado. Não quero mais passar as tardes de sol, deitado na grama fazendo planos e dizendo o quanto eu te amo. Não olharei para trás e nem direi que me arrependo. Direi apenas que as lembranças que trago comigo agora moram distantes do meu peito.
Mas te vendo assim, dormindo nua em minha cama, posso apenas desejar que me queira sob a carícia dos meus dedos e sob o zelo do meu coração.
Mas já não quero mais isso.
Não adianta chorar pra mim, porque as tuas lágrimas já não me comovem mais. Não queira olhar pra mim, pois esses teus olhos, onde antes eu poderia me perder pra sempre, já não me despertam mais sentimentos. Essas suas bochechas coradas, antes minhas, já não me pertencem mais e não quero mais beijá-las ou acariciá-las de qualquer maneira. Gostaria de dizer-te que não adianta mais mexer pra mim os cabelos que eu já cheirei e acariciei. O único cheiro que ainda sinto vindo deles é o cheiro de mágoa e saudades que ficaram entre nós dois. As suas coxas quentes em dia de inverno, só me trazem o reflexo do frio distante que é o teu coração. Cansei de esperar que algo como apreço viesse de ti. Agora o que posso esperar é que não tornarás mais a ver aquele homem apaixonado e feliz por te dar todo o meu carinho.
Só quero dizer não quero mais. Não quero mais sofrer ao teu lado, nem sorrir ao teu lado. Não quero mais passar as tardes de sol, deitado na grama fazendo planos e dizendo o quanto eu te amo. Não olharei para trás e nem direi que me arrependo. Direi apenas que as lembranças que trago comigo agora moram distantes do meu peito.
Mas te vendo assim, dormindo nua em minha cama, posso apenas desejar que me queira sob a carícia dos meus dedos e sob o zelo do meu coração.
22 janeiro 2007
Galope
-Pois sente aqui meu caro e pensa o que tem de bom nessa estrada de pedra, onde eu sento todo dia pra olhar a morena passar. Sabe aquela morena que passa todo dia montada num cavalo, com um vestido azul marinho, pés sem calçados e um olhar naqueles olhos escuros, de onde eu poderia me perder pra sempre. Pois me sinto um frouxo de não chegar e falar pra ela que poderia ser eu o homem dos olhos dela, e que só seria metade do caminho porque ela já é a mulher dos meus. Sentado aqui dia após dia eu vejo passar todo tipo de carro, embarcação e caminhão, mas não tem nada mais bonito que ver ela que me toca o coração.
-Sei lá quem é ela, que pergunta besta, não te disse que não falo nunca com ela, e o máximo que já troquei de informação foi um olhar tímido. Pois sabe que se pra ela foi um olhar rápido de que ela nem deve lembrar, pra mim pareceu uma passagem de tempo parado daqueles que a gente vê em filme de amor.
-Não falo com ela porque sou um frouxo, já disse. Não consigo. Simplesmente me baixa a cortina ignorância que transforma esse cidadão que todos julgam culto num típico candidato à escolinha noturna. E você sabe que não tenho problemas pra tratar com ninguém. Discuto política com mendigo e futebol com advogado. Mas ela passa por aqui e as pernas tremem e me bate uma moleza no corpo que me paralisa.
-Pois então tu acha que eu não sei que eu posso tá me privando da minha felicidade. É claro que eu sei pô. Mas saber que ela pode me dizer um não e virar as costas pra mim, aquelas costas que eu desejo beijar e acarinhar e abraçar com tudo o que os meus braços podem dar isso seria o fim pra mim. Além do mais eu sou um cara que não tem nada além do que as pessoas julgam ser inteligência ou esperteza, não sei. Tudo o que eu quero ou preciso os outros me dão. Como eu ia sustentar um luxo de por um sapato no pé dela, o senhor pode imaginar?
-É só o que eu quero. Sentar aqui e me sentir o mais próximo possível dela. Pra que o senhor pode pensar. Um dia alguém me disse que a felicidade é um trem que bate desgovernado no coração e arrebenta a gente de sorrisos. Essa é a diferença. A minha felicidade vem a galope num cavalo tranqüilo. Ela só anda mais devagar.
-Pois sempre que quiser apareça, tenha uma boa tarde o senhor também, meu caro.
-Sei lá quem é ela, que pergunta besta, não te disse que não falo nunca com ela, e o máximo que já troquei de informação foi um olhar tímido. Pois sabe que se pra ela foi um olhar rápido de que ela nem deve lembrar, pra mim pareceu uma passagem de tempo parado daqueles que a gente vê em filme de amor.
-Não falo com ela porque sou um frouxo, já disse. Não consigo. Simplesmente me baixa a cortina ignorância que transforma esse cidadão que todos julgam culto num típico candidato à escolinha noturna. E você sabe que não tenho problemas pra tratar com ninguém. Discuto política com mendigo e futebol com advogado. Mas ela passa por aqui e as pernas tremem e me bate uma moleza no corpo que me paralisa.
-Pois então tu acha que eu não sei que eu posso tá me privando da minha felicidade. É claro que eu sei pô. Mas saber que ela pode me dizer um não e virar as costas pra mim, aquelas costas que eu desejo beijar e acarinhar e abraçar com tudo o que os meus braços podem dar isso seria o fim pra mim. Além do mais eu sou um cara que não tem nada além do que as pessoas julgam ser inteligência ou esperteza, não sei. Tudo o que eu quero ou preciso os outros me dão. Como eu ia sustentar um luxo de por um sapato no pé dela, o senhor pode imaginar?
-É só o que eu quero. Sentar aqui e me sentir o mais próximo possível dela. Pra que o senhor pode pensar. Um dia alguém me disse que a felicidade é um trem que bate desgovernado no coração e arrebenta a gente de sorrisos. Essa é a diferença. A minha felicidade vem a galope num cavalo tranqüilo. Ela só anda mais devagar.
-Pois sempre que quiser apareça, tenha uma boa tarde o senhor também, meu caro.
24 dezembro 2006
Baralho da vida
Metáfora é uma coisa que tem feito parte da minha vida, e tenho jogado com elas de um jeito que me faz parecer estranho diante de mim mesmo.
Falando nisso tenho jogado bastante, e venho pensar sobre as cartas que a vida tem me jogado, e como todo jogo que se preza, eu tento retribuir as cartas de volta, mas às vezes acho que ou eu não tenho cartas suficiente altas na mão, ou que no meu próprio baralho faltam cartas para jogar.
As cartas que vêm caindo na minha mão eu não tenho descartado e inclusive aproveitado várias delas como se todas fossem altas o suficiente para tirar uma vantagem nessa partida. Mas a carta que eu tenho procurado no baralho, a tal carta de copas não aparece, e inclusive muitas vezes comprando do monte acho que foi a própria carta que me descartou.
Acho q as "jogadas" da vida é metáfora e jargão bastante batido, mas que no momento em que minha consciência se encontra agora, em plena véspera de natal, acho que é apropriado o momento, porque os jargões e metáforas de natal e de ano novo estão todos aí pra confortar e receber a gente.
Falando nisso tenho jogado bastante, e venho pensar sobre as cartas que a vida tem me jogado, e como todo jogo que se preza, eu tento retribuir as cartas de volta, mas às vezes acho que ou eu não tenho cartas suficiente altas na mão, ou que no meu próprio baralho faltam cartas para jogar.
As cartas que vêm caindo na minha mão eu não tenho descartado e inclusive aproveitado várias delas como se todas fossem altas o suficiente para tirar uma vantagem nessa partida. Mas a carta que eu tenho procurado no baralho, a tal carta de copas não aparece, e inclusive muitas vezes comprando do monte acho que foi a própria carta que me descartou.
Acho q as "jogadas" da vida é metáfora e jargão bastante batido, mas que no momento em que minha consciência se encontra agora, em plena véspera de natal, acho que é apropriado o momento, porque os jargões e metáforas de natal e de ano novo estão todos aí pra confortar e receber a gente.
13 dezembro 2006
Às vezes eu fico pensando se eu espero chover ou se cuspo pra cima e espero descer na marra.
No nordeste os cabras esperam meses pra cair meia dúzia de pingos da água. Vida de Joinvilleno é foda, a gente só fica esperando a chuva, sabendo que ela vem. Isso é garantido. Aí fica pensando: "O tempo tá feio, será que eu levo guarda chuva?"
A resposta é sempre sim.
A pergunta que nunca me cala é se eu to preparado para qualquer tipo de chuva que há de vir. Se eu me molho ou se eu levo o tal guarda chuva.
O importante é que uma hora chove.
No nordeste os cabras esperam meses pra cair meia dúzia de pingos da água. Vida de Joinvilleno é foda, a gente só fica esperando a chuva, sabendo que ela vem. Isso é garantido. Aí fica pensando: "O tempo tá feio, será que eu levo guarda chuva?"
A resposta é sempre sim.
A pergunta que nunca me cala é se eu to preparado para qualquer tipo de chuva que há de vir. Se eu me molho ou se eu levo o tal guarda chuva.
O importante é que uma hora chove.
02 dezembro 2006
Felipe acordou tarde naquele dia, e imaginou que horas seriam. Sentiu a cabeça rodar e o estomago reclamar, sabendo que isso ainda era o resultado da bebedeira da noite anterior. Bebedeira essa que havia se tornado constante desde que Stella havia o abandonado.
Já tentara arrumar vícios e passatempos mais construtivos, mas no fim da noite sempre se vendo sozinho, pegava uma garrafa de vodka e se compenetrava a olhar para o copo turvo das marcas de dedos fosse arrumar alguma solução para os problemas de sua vida.
Nessa noite sabia que havia sonhado com Fernanda, antiga amiga que agora morava em Portugal. “Gostosa” pensou ele, ao levantar da cama lembrando da mulher alta de cabelos acobreados, lábios carnudos e olhos verdes como qualquer piscina jamais será.
Levantou-se e foi até a piscina beber água. Chegando lá, olhou ao seu redor e sabia que deveria se mudar o mais rápido possível, porque cada canto, cada talher lembrava-lhe Stella.
Pensou na saudade, vomitou. Trocou de roupa e foi passear na praia. Quando se encontrava na praia sentia-se totalmente diferente, sabia que o mar levava tudo de ruim que havia em si. Sentia-se bem novamente.
Resolveu ligar para Fernanda em Portugal para contar o sonho a ela. Ao chegar em casa abre a porta e se depara com Stella sentada no escuro da sala, aguardando a sua volta.
Ele, surpreso perguntava o que ela fazia ali, e ela respondeu calmamente: “voltei para casa”. Mais surpreso ainda Felipe sente suas pernas tremerem e pergunta qual o objetivo dela nisso tudo, e Stella responde que nunca deveria ter saído de casa.
Nervoso, Felipe pergunta a ela se sabia tudo o que ele havia passado nestes últimos tempos, e ela dizendo que sabia, e prometeu nunca mais ele passará por algo como aquilo.
Felipe então, surpreso com a sua própria reação diz que prefere viver na ilusão do amor platônico que o devorava a viver aquela situação novamente.
Levantou-se do sofá onde estava sentado com os olhos cheios de lagrimas, abriu a porta e pediu para Stella sair.
Stella então, saiu em direção à saída sentindo-se triste e surpresa com a reação de Felipe, não imaginando que ele chegaria à saída antes dela, pois havia pulado da sacada.
Já tentara arrumar vícios e passatempos mais construtivos, mas no fim da noite sempre se vendo sozinho, pegava uma garrafa de vodka e se compenetrava a olhar para o copo turvo das marcas de dedos fosse arrumar alguma solução para os problemas de sua vida.
Nessa noite sabia que havia sonhado com Fernanda, antiga amiga que agora morava em Portugal. “Gostosa” pensou ele, ao levantar da cama lembrando da mulher alta de cabelos acobreados, lábios carnudos e olhos verdes como qualquer piscina jamais será.
Levantou-se e foi até a piscina beber água. Chegando lá, olhou ao seu redor e sabia que deveria se mudar o mais rápido possível, porque cada canto, cada talher lembrava-lhe Stella.
Pensou na saudade, vomitou. Trocou de roupa e foi passear na praia. Quando se encontrava na praia sentia-se totalmente diferente, sabia que o mar levava tudo de ruim que havia em si. Sentia-se bem novamente.
Resolveu ligar para Fernanda em Portugal para contar o sonho a ela. Ao chegar em casa abre a porta e se depara com Stella sentada no escuro da sala, aguardando a sua volta.
Ele, surpreso perguntava o que ela fazia ali, e ela respondeu calmamente: “voltei para casa”. Mais surpreso ainda Felipe sente suas pernas tremerem e pergunta qual o objetivo dela nisso tudo, e Stella responde que nunca deveria ter saído de casa.
Nervoso, Felipe pergunta a ela se sabia tudo o que ele havia passado nestes últimos tempos, e ela dizendo que sabia, e prometeu nunca mais ele passará por algo como aquilo.
Felipe então, surpreso com a sua própria reação diz que prefere viver na ilusão do amor platônico que o devorava a viver aquela situação novamente.
Levantou-se do sofá onde estava sentado com os olhos cheios de lagrimas, abriu a porta e pediu para Stella sair.
Stella então, saiu em direção à saída sentindo-se triste e surpresa com a reação de Felipe, não imaginando que ele chegaria à saída antes dela, pois havia pulado da sacada.
28 novembro 2006
26 novembro 2006
Nova Investida
Resolvi (como está escrito no describe dessa bagaça) criar um blog então pra passar um tempo. Sei lá o que se passa pela minha cabeça nesse momento.
Só quero deixar registrada alguma impressão minha aqui, e Deus sabe que muitas vezes essa impressão não vai ser boa.
Mas, vamos tentar.
Só quero deixar registrada alguma impressão minha aqui, e Deus sabe que muitas vezes essa impressão não vai ser boa.
Mas, vamos tentar.
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